5 de outubro de 2010

Pílulas ideológicas – depois do marxismo

O colapso do marxismo significa que a direita venceu, que a injustiça é inamovível, que a ausência de uma utopia partilhada nos impede de lutar pela liberdade e pela solidariedade? Não me parece. Parece-me que teremos de aprender a lutar pelo que consideramos justo, sem saber nem querer saber se isso cabe numa ideia predeterminada do futuro.

Há muito tempo que preocupa o problema de descobrir uma nova política para a esquerda, após o fim do marxismo. Bem sei que muitos não me acompanham no passar desta certidão de óbito, mas para mim o óbito é evidente.

A questão decisiva é a previsão que o marxismo fazia sobre a história, que dava todo o sentido à luta dos militantes e uma perspectiva de esperança aos oprimidos. O marxismo afirmava que ao modo de produção capitalista se seguiria o modo de produção comunista, com a eventual transição pelo socialismo, com a colectivização dos meios de produção, uma distribuição igualitária da riqueza, a planificação central da economia e, eventualmente, a própria dissolução do estado.