22 de março de 2018

Juventude europeia abandona religião

Tradução e adaptação do artigo Report Finds Young People in Europe Are Abandoning Organized Religion in Droves no blogue Friendly Atheist, de Hemant Mehta.

Um relatório recente (PDF), realizado pelo professor de teologia Stephen Bullivant, da Universidade St. Mary em Londres, descobre que muitas nações europeias estão a marchar rapidamente para longe da religião.

Basta olhar para a percentagem de "Nenhuns" (ateus, agnósticos, pessoas que não pertencem a nenhuma religião organizada) no grupo etário dos 16 aos 29 anos.

Na República Checa, 91% das pessoas com menos de 30 anos não têm nenhuma afiliação religiosa. E num conjunto de 12 países a opção "nenhuma" é maioritária na mesma faixa etária.

O gráfico do Guardian que ilustra isso é ainda mais impressionante:

A religião estava "moribunda", disse [Bullivant]. "Com algumas exceções notáveis, os jovens adultos estão cada vez menos identificados com, ou praticando a, religião".

É provável que a trajetória se torne mais marcada. "O cristianismo como padrão, como norma, desapareceu, talvez de forma definitiva — ou pelo menos nos próximos 100 anos", disse Bullivant.

O relatório refere-se a 21 países europeus e Israel e foi realizado por duas instituições católicas, St. Mary’s University, Twickenham, em Londres, e o Institut Catholique de Paris. O seu objetivo era informar o Sínodo dos Bispos de outubro deste ano, em Roma, dedicado a temas de juventude. Foi feito com base em dados recolhidas no European Social Survey 2014-16 (ESS 2014-16). Lacunas notáveis são a ausência da Itália e de quase todos os Balcãs.

O estudo também mostrou uma percentagem incrivelmente elevada de pessoas com menos de 30 anos que nunca ou raramente frequentam os serviços da igreja (fora de ocasiões especiais) nesses mesmos países.

Esta tendência de desafiliação religiosa repetiu-se quando os jovens foram questionados sobre a prática religiosa. Somente na Polónia, Portugal e Irlanda, mais de 10% dos jovens dizem que frequentam serviços de culto pelo menos uma vez por semana.

Na República Checa, 70% disseram que nunca foram à igreja ou a qualquer outro local de culto, e 80% disseram que nunca rezam. No Reino Unido, França, Bélgica, Espanha e Países Baixos, entre 56% e 60% disseram que nunca vão à igreja, e entre 63% e 66% disseram que nunca rezam.

Este último pormenor sobre a oração é importante. Não é só que os jovens não vão à igreja. É que estão a deixar a fé de todo, sabendo que a oração não vai fazer nada para resolver seja o que for que esteja nas suas mentes.

De acordo com Bullivant, muitos jovens europeus "terão sido batizados e nunca mais voltaram a pôr os pés numa igreja. As identidades religiosas culturais deixaram de passar de pais para filhos. Já não ligam a isso".

Tenhamos em conta que Bullivant é professor de Teologia numa universidade católica, onde também administra o Centro de Religião e Sociedade Bento XVI. Não está a comemorar essas descobertas. Está perturbado por elas. Ele vê este relatório como um aviso aos líderes religiosos sobre o que vem aí.

Nós discordamos. Quando as pessoas escolhem livremente abandonar a religião, sem medo da perseguição, é sinal de que a sociedade está a tornar-se menos dependente do pensamento mágico e (espero) mais assente na razão. Dados todos os problemas nas nações sob o domínio islâmico, e de países como os Estados Unidos em que uma forma de cristianismo deformada dita tantas decisões políticas, todos devemos agradecer quando a religião se torna uma relíquia.

Esperamos que estes países usem os factos em vez da fé para orientar a sua tomada de decisões.

Nota: no primeiro gráfico, os países cujos nomes aparecem com asterisco(*) disponibilizaram dados só até 2014; os que aparecem com divisa (^) só disponibilizaram dados de 2016.

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